Tipo de leucemia de Susana Vieira é mais comum após os 50 e raramente dá sinais

Após revelar, durante a gravação de um programa de TV, que luta contra um câncer há cerca de três anos, Susana Vieira foi ao Fantástico (Rede Globo) e deu mais detalhes sobre a doença que escolheu manter em segredo por tanto tempo.

No programa, a atriz comentou o processo de descoberta e tratamento de uma doença chamada Leucemia Linfocítica Crônica (LLC), explicando que a presença dela em seu organismo foi identificada em 2015, mas que só foi necessário tratá-la no final de 2017.

Ao VIX, o chefe da Hematologia do Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP) Vanderson Rocha explica essa e outras particularidades da doença.

Leucemia de Susana Vieira: entenda

A leucemia em si é uma doença maligna que se manifesta na proliferação anormal dos glóbulos brancos (células do sangue que atuam na defesa do corpo), algo que torna o organismo deficiente em células maduras normais e consequentemente prejudica a imunidade do paciente.

E apesar de muitas pessoas pensarem que a leucemia é uma coisa só, o hematologista explica que há diferentes tipos, e que a classificação muda com base nas células que cada um deles ataca e no quão rápido o quadro se agrava.

Ao contrário das leucemias agudas – que são bastante agressivas, se desenvolvem rapidamente e precisam de tratamento imediato –, as crônicas se manifestam de forma diferente e muitas vezes nem requerem tratamento.

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Entre as crônicas, a leucemia pode ser mieloide ou linfoide (ou linfocítica), tipos que se diferenciam pelas células que a doença ataca. No primeiro caso, as células atacadas são os mielócitos (células imaturas da medula óssea), enquanto no segundo – caso que acometeu a atriz –, a doença afeta os linfócitos (células diretamente ligadas à imunidade).

A LLC tem predileção por um grupo de risco específico, no qual a atriz de 76 anos está. “Ele geralmente ocorre depois dos 50 e mais frequentemente entre os 62 e os 72 anos”, explica Vanderson, ressaltando que quadros como o de Susana são mais comuns em homens do que em mulheres.

Sintomas e tratamento da LLC

Segundo Susana, quando descobriu ser portadora da doença após um exame de sangue pré-operatório, o médico que a atendeu afirmou que a Leucemia Linfocítica Crônica só se manifestaria quando ela tivesse uma queda na imunidade. Ao ser acometida por uma forte gripe dois anos depois, a atriz relatou ter manifestado sintomas frequentes de um resfriado típico (fadiga, dores, falta de ar, etc), mas que foram bastante intensificados graças à leucemia.

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Conforme explica Vanderson, enquanto as leucemias agudas se manifestam agressivamente, as crônicas são silenciosas e raramente apresentam sinais.

Na maior parte dos casos, os sintomas específicos (inchaço dos gânglios linfáticos, fadiga, febre, anemia e infecções muito frequentes) só aparecem quando a doença está muito avançada, já se tornou um linfoma ou quando o paciente tem certas alterações genéticas (como a deleção do cromossomo 17, que agrava o quadro e piora o prognóstico).

É justamente por isso que, assim como ocorreu com a atriz, muitos casos não precisam ser tratados. De acordo com o especialista, se o diagnóstico é feito, mas não há sintomas, a orientação é a de acompanhar o quadro e avaliar evoluções por meio de exames regulares e consultas com um hematologista.

“Tenho pacientes que há anos seguem sem precisar de tratamento”, afirma o médico.

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Quando os sintomas se tornam evidentes, como eventualmente aconteceu com Susana, o tratamento se faz necessário, mas isso nem sempre significa uma quimioterapia. “Para tratar as leucemias crônicas, nós temos mais tempo e, atualmente, utilizamos inclusive tratamentos só à base de medicamentos orais”, comenta o médico.

Caso haja a necessidade de uma quimioterapia, o tratamento é realizado por cerca de seis meses e, se o organismo reagir de maneira positiva, tudo o que o paciente precisa fazer é manter consultas periódicas com um hematologista.

Assim como Susana – que afirmou estar novamente saudável –, grande parte dos pacientes se recupera da Leucemia Linfocítica Crônica sem precisar de medicamentos após o tratamento.

Tipo de leucemia de Susana Vieira é mais comum após os 50 e raramente dá sinais
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